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Michael Jackson e Ayrton Senna
27-06-2009

O PILOTO X, N.O 52

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A morte de Michael Jackson me faz lembrar a morte de Ayrton Senna.

 

Ambos impressionaram o mundo pelo talento. Ambos tornaram-se ídolos de milhões. Ambos morreram terrivelmente cedo.

 

Dizem que na terra de cego quem tem um olho é rei. Eu diria que na terra de cego quem tem um olho é um solitário.

 

Michael Jackson foi um grande solitário. Senna também. As pessoas especiais são solitárias por natureza. Questionaram a sexualidade de Jackson assim como questionaram a sexualidade de Senna porque ambos eram realmente estranhos, presos aos seus mundos interiores, seus universos paralelos.

 

Ambos foram de certa forma pessoas incompreendidas. Mas como compreender os gênios se não somos gênios?

 

Senna foi um escravo de sua própria personalidade, de sua obsessão pela vitória. Parecia um alucinado. E como poucos sofria imensamente com a derrota.

 

Já Michael parecia buscar compulsivamente uma razão para gostar da vida. Parecia querer transformar o que o incomodava. Fez incontáveis plásticas, mudou de cor, criou sua própria Disneylândia, um paraíso pessoal em um mundo repleto de dor e desencontro.

 

Cada um à sua maneira, Michael Jackson e Ayrton Senna tornaram-se mitos. Contudo, com relação à Senna, sua morte sempre trouxe um sentimento de incompreensão e incredulidade enorme. Não estava na hora, de forma alguma. Ele tinha muito ainda a conquistar.

 

Já a morte de Michael traz a ideia do descanso, após tantas dores vividas. Teria ele abusado de crianças? Difícil dizer. Mesmo com essa dúvida no ar, a trajetória de Michael e sua morte prematura inspiram pena, dó, comove. Seus infernos pessoais eram terríveis. Ele não se adequava ao mundo. E morreu assim como viveu: surpreendentemente.


© Sandro Mendes