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Atração, mas fora da Copa do Mundo
30-04-2010
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Por Rafael Ligeiro |
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Sim. É verdade que muitos comentaristas esportivos apostam na Costa do Marfim, do birrento artilheiro Didier Drogba. Contudo, ao menos em meu modesto conceito, o grande favorito á conquista da Copa das Nações Africanas é o Egito. A equipe venceu seus dois primeiros compromissos no torneio, realizado em Angola. E convenceu. Especialmente na estreia, contra Camarões. Aliás, não tenho dúvidas de que o time da terra das pirâmides seria um atrativo na Copa do Mundo, que começa em junho.
De fato, a seleção do Egito está longe de ser uma equipe tradicional no futebol mundial. Muito longe. Contudo, em tempos de futebol burocrático e esquemas táticos assustadoramente defensivos, é dona de um estilo bonito de jogar. Possui atacantes rápidos e habilidosos. Certamente seria uma pedrinha no sapato de grandes equipes. Assim como fora na Copa das Confederações, no ano passado. Na estreia, os Faraós – apelido da equipe egípcia –deu uma canseira danada à Seleção brasileira. A vitória verde-amarela veio apenas aos 45 minutos do segundo tempo, em um pênalti convertido por Kaká. Já na partida seguinte, venceu a atual campeã Mundial, a Itália, por um a zero.
Então, como explicar a ausência do Egito no Mundial vindouro?
Difícil.
Há quem possa atribuir ao Sobrenatural de Almeida. Ou até mesmo adaptar um ditado popular ao Botafogo: “Há coisas que só acontecem com o Egito”. Mas é válido afirmar que do mesmo modo que mostra força contra adversários de peso, o Egito parece especialista em deixar classificações escaparem.
Basta lembrar da própria Copa das Confederações passada. Com a vitória do Brasil por três a zero sobre a Itália, na última rodada da primeira fase, a equipe africana garantiria posto na semifinal do torneio até mesmo se perdesse por dois gols de diferença aos Estados Unidos. Resultado: foram batidos por três a zero.
Está certo, vá lá um desconto. Afinal, os Estados Unidos é outra seleção pouco badalada, mas que é um baita osso duro-de-roer. No entanto, o que dizer da vaga no próximo Mundial perdida pelo Egito, após ser derrotada por um a zero, pela Argélia, no jogo-extra? Jogo-extra? Sim, pois ambas as equipes conseguiram a proeza de terminarem empatadas em todos os critérios, na liderança do Grupo C das eliminatórias africanas.
Por sinal, engana-se quem pensa que esse retrospecto de desclassificações à Copa do Mundo por parte dos egípcios seja novidade. A partir do Mundial de 1970, quando a África passou a ter ao menos uma vaga garantida em Copas sem a necessidade de enfrentar adversários de outros continentes, a equipe disputou dez eliminatórias. E conseguiu vaga em apenas um Mundial: o de 1990, na Itália.
Evidentemente, as eliminatórias africanas à Copa do Mundo são marcadas por grande equilíbrio. As 33 vagas disponíveis ao continente desde 1970 foram ocupadas por 13 seleções. Mas vale ressaltar que, nesse mesmo período, o Egito faturou o título de quatro edições da Copa das Nações Africanas: 1986, 1998, 2006 e 2008. É o maior vencedor da competição nesses 40 anos, ao lado de Camarões, que garantiu presença em nada menos que seis dos últimos oito Mundiais.
Pois bem, aí está mais um mistério aos inquietos egiptólogos. Só não vale procurar os ossos do Sobrenatural de Almeida.
© Rafael Ligeiro
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