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01/ 07/ 2010
Brasil x Holanda: Mais qualidade em 1994 ou em 2010?
Protagonistas do duelo do passado têm correspondentes nesta Seleção

Nesta sexta-feira, o Brasil encara a Holanda de olho em uma vaga nas semifinais da Copa do Mundo. Há 16 anos, as duas equipes se enfrentaram nos Estados Unidos, também nas quartas de final daquele mundial. A partida, vencida pela Seleção por 3 a 2, foi uma das mais marcantes da campanha do tetracampeonato.

Os autores dos gols brasileiros, Bebeto, Romário e Branco, viviam momentos distintos naquela equipe. Enquanto a dupla de ataque era a principal força daquela Seleção, o lateral, muito questionado pela torcida, acabara de assumir a titularidade do time por conta da expulsão de Leonardo.

Situações parecidas vivem hoje os titulares da equipe de Dunga - o camisa 8 da vitoriosa Seleção de 1994. O ataque do Brasil é um dos únicos pontos incontestáveis do time: Robinho é, talvez, aquele que melhor jogou nestes quatro anos de trabalho do técnico, enquanto Luís Fabiano é hoje um dos principais centroavantes do futebol mundial.

O atual lateral esquerdo titular, Michel Bastos, vive situação parecida com a que Branco viveu no Mundial dos Estados Unidos. É considerado o ponto fraco da atual equipe, justamente na posição em que Dunga mais penou para encontrar um titular. Porém, assim como seu antecessor, tem nos chutes fortes e nas cobranças de falta sua principal arma ofensiva. Quem sabe não decide a partida com uma finalização de longe, como aconteceu em 1994, e cala os críticos?

Vivendo o clima de Brasil x Holanda, o LANCENET! relembra pra você os titulares que protagonizaram o duelo há 16 anos e compara: quais equipes eram melhores, as de 1994 ou as de 2010? Confira a análise a seguir:

O Brasil, por Lucas Pastore:

A Seleção Brasileira do técnico Carlos Alberto Parreira chegou aos Estados Unidos com um ar de desconfiança após a decepção da Copa do Mundo de 1990. Desacreditada, a equipe começou o Mundial com três jogadores pouco criativos no meio de campo - Mauro Silva, Dunga e Zinho, que mais tarde ganhariam a companhia de Mazinho em substituição a Raí. Mesmo sem brilhar, a atual equipe é, de maneira gaeral, mais talentosa do que a de 1994. O que não garante o mesmo final feliz que tivemos então.

Defesa:

1994: Tarrafel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco
2010: Julio Cesar, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos

É difícil marcar gols na Seleção de Dunga. Até aqui, foram dois gols em quatro partidas. Em 1994, o Brasil também se destacava por ter um bom sistema defensivo - antes das quartas de final, tinha sido vazado apenas uma vez. Porém, a diferença de qualidade dos jogadores é indiscutível. Julio Cesar e Maicon são considerados, por muitos, os melhores do mundo em suas posições. Lúcio e Juan também são apontados como a melhor zaga do planeta. Status este que os integrantes da defesa de 1994 não tinham.

Meio de campo:

1994: Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho
2010: Gilberto Silva, Felipe Melo (Josué ou Kleberson), Daniel Alves e Kaká

Tanto Parreira em 1994 quanto Dunga em 2010 montaram seus meios de campo tendo como prioridade a competitividade. Porém, nesta Copa do Mundo, o jogador responsável por auxiliar o ataque, Kaká, tem conseguido exercer sua função, ainda que com descrição. No Mundial dos Estados Unidos, Raí, que deveria fazer este papel, não funcionou, e acabou sacado para a entrada de mais um volante: Mazinho. Por isso, podemos considerar o meio de 2010 mais talentoso.

Ataque:

1994: Bebeto e Romário
2010: Robinho e Luís Fabiano

Robinho e Fabuloso são unanimidade na equipe de Dunga. Juntos, já marcaram quatro gols nesta Copa do Mundo, e têm papel importantíssimo na Seleção. Porém, dificilmente chegarão ao status da dupla de 1994, cuja atuação beirou a perfeição. Com grande entrosamento, foram responsáveis por 80% dos gols daquela equipe. Para muitos, foram os grandes responsáveis pela conquista do tetracampeonato.

Enquete O Brasil de 2010 é melhor que o de 94?

A Holanda, por Valdomiro Neto:

A equipe holandesa que chegou às quartas de final da Copa de 94 ressentia-se do ocaso da sua segunda geração de ouro. Do famoso trio do Milan formado por Rijkaard, Gullit e Van Basten, apenas o primeiro ainda defendia a seleção laranja. A base da equipe campeã europeia em 89 e que não teve o mesmo brilho no Mundial de 90, na Itália, desmontou-se. Despontavam alguns bons jogadores que conduziriam o país europeu ao quarto lugar em 98, como Bergkamp e Overmars. É justamente essa transição que torna a equipe de 94 pior que a atual. Confira:

Defesa:

1994: De Goey, Winter, Koeman, Valckx e Jonk
2010: Stekelemburg, Van der Wiel, Heintinga, Mathijsen e Van Bronckhorst

Dois jogadores destacavam-se no sistema defensivo da Holanda no Mundial de 94: Winter, pela direita, e Koeman, no miolo da zaga, davam um pouco de proteção. A atual dupla de zaga, com Heintinga e Mathijsen, está longe de passar segurança e depende demais da proteção dos volantes De Jong e Van Bommel. Porém, a atual equipe leva vantagem na comparação de goleiros: Stekelenburg é superior a De Goej. No geral, a defesa de 94 parecia ter um pouco mais de qualidade.

Meio de campo:

1994: Wouters, Rijkaard, e Witschge
2010: De Jong, Van Bommel e Sneidjer

Como é tradicional o modelo com dois pontas na Holanda, o meio de campo costuma ser formado por dois volantes e um meia mais adiantado. Em 94, o trio era Rijkaard, Wouters e Witschge. O primeiro fez parte do grande esquadrão campeão europeu em 89, porém já caminhava para o fim de sua carreira. Na atual equipe, de Jong e Van Bommel são marcadores implacáveis, sendo os cães de guarda para impedir que o adversário chegue ao gol de Stekelenburg. Sneijder, principal responsável pela ligação meio-ataque, torna o meio de campo de 2010 mais técnico que o de 16 anos atrás.

Ataque:

1994: Overmars, Bergkamp e Van Vossen
2010: Robben, Kuyt e Van Persie

O duelo neste setor é mais acirrado. Em 94, havia os dois novos queridinhos da torcida holandesa: Bergkamp - que faria história no Arsenal (ING) - e Overmars, que todos nós lembramos pela jogada que resultou na falta de branco. Porém, Van Vossen era o ponto fraco. Agora, o trio com Robben, Kuyt e Van Persie parece ser mais completo e versátil.